quinta-feira, 11 de junho de 2015
A vantagem de ninguém ouvir seus pensamentos é que você pode selecionar as pessoas que sabem dos seus sonhos.
Acontece que sonhar é tão gostoso que às vezes a gente exagera - e isso definitivamente não é um problema - e acaba não tendo coragem de expressá-los para ninguém, nem para nós mesmos. A consequência disso é um milhão de vontades guardadas na mais funda gaveta do cérebro, a gaveta das frustrações. A cada desejo engavetado é um "e se" solto no nosso corpo e quando você menos espera, você já se tornou um completo ponto de interrogação ambulante.
Eu quase me tornei essa interrogação, mas um belíssimo heroi tatuado chegou para me transformar em uma baita duma exclamação!
Minha gaveta de frustrações está vazia e não porque todos os meus sonhos estão se tornando realidade e sim porque antes deu escolher se conto ou não meu novo sonho maluco, ele, meu heroi, já me contou o dele e a coisa mais linda do mundo é saber que é exatamente o mesmo que o meu!
O mais gostoso de sonhar não é - só - alcançar e sim a trajetória, seja ela qual for, é a hora que você ri achando a ideia absurda ou até quando percebe que é hora de sonhar algo novo.
Por favor, sonhe muito e se não quiser contar para ninguém, repete ele bem alto na frente do espelho, assim ele vai ficar tão grande que não vai caber em gaveta nenhuma.
Dani.
sábado, 6 de junho de 2015
Triste é ser ave que não voa
Essa frase surgiu ontem em minha cabeça e tem me perseguido desde então. Essa noite, quando apoiei a cabeça no travesseiro, minha mente foi longe e acabei entendendo o motivo.
Tudo começou comigo sentado em um dos meus bancos favoritos de um dos ônibus gratuitos que me leva, todo dia, de casa para o trabalho e vice-versa. Em um dos pontos, perto de uma escola, sobem quatro pessoas, dois meninos de não mais do que 7 anos de idade, o pai de um e a turrona mãe do outro. O menino e seu pai sentam-se imediatamente ao meu lado, enquanto a mãe e o outro garoto se acomodam alguns bancos à minha frente.
Os dois, colegas de classe, demonstram extrema empolgação pelo mesmo assunto: a aula de ciências. Nas palavras de um deles, eles nunca tinham visto tantos insetos diferentes. O pai, ao meu lado, instiga. Quer saber mais sobre os insetos; “Quantas pernas?”, “Tinham asas?”, “Qual a cor?”. Por outro lado, as três fileiras de bancos vazios não conseguem esconder o grosseiro desinteresse da mãe pelo assunto, Muito mais preocupada com o volume do filho.
Isso me distrai, quase me entristece. Sou levado rapidamente para a casa daquele menino e o dia-a-dia com aquela mãe. Mas sou resgatado pela pergunta do interessado pai: “E quais são as aves que não voam?”. Com um enorme sorriso no rosto, o pequeno dispara logo três: Pinguim, avestruz e mais algum que meu professor de inglês não me ensinou.
Antes que aquele momento pudesse me causar qualquer reação, sou levado novamente para os bancos da frente pela estúpida pergunta da mãe: “E o que você sabe sobre inseto? Nada!”
Viemos para o outro lado do mundo para termos tempo de fazer tudo que queríamos, aproveitar melhor a vida. A Austrália é o pai gentil que a pátria mãe não foi. O pai que instiga e incentiva.
Porque se o pinguim soubesse que é ave, faria de tudo pra voar.
Eder.
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