sábado, 28 de março de 2015

Cortando o cordão umbilical.

Pois, cá estamos.
Após seis corridos e intensos meses de planejamento, execução e despedidas, estamos prestes a completar dois meses na terra dos Cangurus.

Temos muita pauta para discutir em dois meses de vida nova, mas a que escolhi falar hoje é sobre o nosso tão doído “Até logo”.
Aquele “Até logo” que tira a coragem de muitas pessoas que anseiam em atravessar ruas, estradas, quiçá oceanos...

- Vamos para a Austrália!
- Pera, amor, nós vamos mesmo?
- Não sei, vamos?
- Vamos! Talvez.

Tomar a decisão é difícil, foram noites inteiras de conversas, questionamentos, pesquisas e quando a resposta é:

- Sim, nós vamos.

Chega a hora de dizer a eles: nossas fortalezas, nossos colos, os responsáveis pelas pessoas corajosas e sonhadoras que nos tornamos.

- Mães, vamos para Austrália!

Meu Deus, toda certeza que tínhamos juntado era feita de areia, o vento bateu e ela se espalhou por aí.
Aqueles olhares marejados dizendo “Não nos deixem” e a voz quase sem forças sussurrando “Nós apoiamos vocês”.

E elas, eles, todos nos apoiaram de todo o coração. E sem isso não estaríamos aqui.

Nossos últimos meses no Brasil foram intensos. Trabalhos, planejamento e execução de tudo para a nossa mudança, muitos litros de lágrimas (poderíamos ter resolvido a crise de água) e amor, muito, muito amor.

Deitamos no colo das mães cheios de medo, como quando éramos crianças.

Brincamos com os irmãos como se nossas únicas preocupações fossem a lição de casa que a professora passou.

Eles estão aqui, mesmo longe, eles estão com a gente.

A saudade arranca lágrimas, toda semana. E eu não sei se um dia iremos simplesmente nos acostumar com ela, teremos que esperar para ver.
Mas tenho sorrisos de orelha a orelha toda semana também, porque posso mandar mensagem para o meu irmão chorando de nervosa por conta de uma entrevista e ele estará lá, para me acalmar. Posso gastar todos os meus minutos do celular só para contar as novidades para a vovó que não tem whatsapp. Consigo atualizar a mamãe de tudo, todos os dias! E choro de rir com as melhores - não - piadas dos primos logo de manhã (ou a noite para eles).


Cortar o cordão umbilical não significa deixar alguém para trás.
Significa trazer com a gente todo o amor possível.

Dani

2 comentários:

  1. Chegar em casa e entrar nesse blog fez do meu dia imensamente caótico um dia tranquilo e feliz.
    Muitas coisas a resolver, muitos trabalhos pra entregar, muitos prazos a serem cumpridos nessa minha vidinha ainda paulistana. Mas vocês sabem bem do que eu estou falando. Parece que quanto menos tempo falta pro avião decolar mais coisas aparecem para serem resolvidas, e parece que nunca serão, que tudo vai ficar pela metade. Que é impossível cortar esse cordão.
    E então eu recebo sua mensagem e entro aqui. E sorrio... Porque sei que na verdade a jornada nunca acaba. Vocês dizem que falarão sobre o passado, mas em vocês eu vejo futuro. Parece que vocês viajaram no tempo e mandam mensagens de como é por aí, aí na frente... Aí longe daqui, não apenas geograficamente.
    Continue escrevendo, porque a gente sabe - de outros carnavais - que é uma das melhores formas de entender o que estamos passando.
    Percebi que sentia falta da sua escrita, mas também percebi que não sinto falta da sua presença... Porque essa nunca foi embora. :)

    Saudades, sim... Mas só da cerveja compartilhada, porque a troca permanece.
    <3

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