De
cara me lembro do filme de ontem à noite. Embora não seja verdade, sinto que
não escrevo há anos. Penso na ideia que havia tido; escrever sobre a “segunda
de páscoa” e o costume Australiano de transferir os feriados dominicais para a
segunda-feira. Mas agora já é terça, não faz mais sentido.
E,
mesmo que fizesse, já não gosto mais. Charlie Kaufman me confirmou: Era uma
merda. A Dani tinha razão.
Saio
da cama e coloco gelo no joelho machucado. O plano é usar esses 20 minutos e
tentar ter alguma ideia, mas acabo pegando o celular e lendo notícias do
Palmeiras.
Estou
atrasado. Termino de me arrumar correndo, dou um beijo na Dani e tenho, ao
menos, a decência de me lembrar do caderninho onde rascunharei minha ideia. Assim
que tiver uma. Se...
Abro
a porta. Chove desde a noite passada. Uma ideia passa rápida pela minha cabeça.
Pego pelo rabo. Quase perco.
Talvez
devesse ter deixado passar. Talvez seja muito ruim. Talvez. Mas eu gosto.
Na
caminhada até o elevador tento amadurecer a ideia enquanto penso na falta que
um guarda-chuva faz.
Entro
no elevador. Aqui não chove. São 5 longos andares sem os pingos pra desviarem
minha atenção. Aproveito ao máximo. Antes de chegar ao térreo decido levar a
ideia à diante.
Na
rua, ainda chove. Tenho pressa. Preciso de um lugar coberto pra começar a
escrever.
O
ônibus praticamente me espera chegar. Tenho 5 paradas pra rascunhar tudo. Não
dá tempo. Desço no ponto mais perto do restaurante, mas fico nele, protegido da
chuva transformada em garoa, escrevendo com pressa.
Ainda
não tenho um final. Queria um bom, mas se demorar muito mais não vou ter tempo
de cozinhar tudo que preciso para abrir o restaurante. Preciso terminar de
qualquer jeito.
Eder.
Eder.
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