Essa frase surgiu ontem em minha cabeça e tem me perseguido desde então. Essa noite, quando apoiei a cabeça no travesseiro, minha mente foi longe e acabei entendendo o motivo.
Tudo começou comigo sentado em um dos meus bancos favoritos de um dos ônibus gratuitos que me leva, todo dia, de casa para o trabalho e vice-versa. Em um dos pontos, perto de uma escola, sobem quatro pessoas, dois meninos de não mais do que 7 anos de idade, o pai de um e a turrona mãe do outro. O menino e seu pai sentam-se imediatamente ao meu lado, enquanto a mãe e o outro garoto se acomodam alguns bancos à minha frente.
Os dois, colegas de classe, demonstram extrema empolgação pelo mesmo assunto: a aula de ciências. Nas palavras de um deles, eles nunca tinham visto tantos insetos diferentes. O pai, ao meu lado, instiga. Quer saber mais sobre os insetos; “Quantas pernas?”, “Tinham asas?”, “Qual a cor?”. Por outro lado, as três fileiras de bancos vazios não conseguem esconder o grosseiro desinteresse da mãe pelo assunto, Muito mais preocupada com o volume do filho.
Isso me distrai, quase me entristece. Sou levado rapidamente para a casa daquele menino e o dia-a-dia com aquela mãe. Mas sou resgatado pela pergunta do interessado pai: “E quais são as aves que não voam?”. Com um enorme sorriso no rosto, o pequeno dispara logo três: Pinguim, avestruz e mais algum que meu professor de inglês não me ensinou.
Antes que aquele momento pudesse me causar qualquer reação, sou levado novamente para os bancos da frente pela estúpida pergunta da mãe: “E o que você sabe sobre inseto? Nada!”
Viemos para o outro lado do mundo para termos tempo de fazer tudo que queríamos, aproveitar melhor a vida. A Austrália é o pai gentil que a pátria mãe não foi. O pai que instiga e incentiva.
Porque se o pinguim soubesse que é ave, faria de tudo pra voar.
Eder.
show
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