terça-feira, 31 de março de 2015

30 de Março de 2015, Segunda-Feira

07:00

Despertador toca. Soneca.

07:05

Despertador dela toca. Soneca também.

07:10

Minha soneca termina. Despertador toca. Soneca de novo.

07:45

Já passamos muito tempo fingindo que estávamos dormindo mais. Desligo os despertadores e olho em volta.Não é o mesmo quarto em que acordei ontem. É novo, mas ao mesmo tempo já tem quase 3 anos.

As 08:30 vou precisar sair sair para o trabalho. Mas se for rápido consigo ainda trazer café na cama pra ela.

Levanto da cama, abro a porta do quarto e dou de cara com a sala; Todas as poucas coisas que trouxemos do Brasil espalhadas por móveis Australianos que já estavam aqui antes da gente, que não têm a “nossa cara”, mas já são tão nossos.

07:50

Desisto do café na cama. Agora temos nossa própria cozinha e nossa própria mesa. Ela vai gostar de tomar café em uma mesa de novo. Sem nenhuma Australiana antipática passando com a cara fechada de um lado para o outro. Sem nenhuma indiana - que, por razões já explicadas nesse blog, prefiro não adjetivar - cozinhando uma comida fedida que impregna no nariz.

Ela vai gostar de ter uma sala quieta e limpa só pra nós dois. Eu também.

08:35

Um pouco atrasado, me despeço dela, pego nossa chave, fecho nossa porta e saio para mais um “primeiro dia”, louco para voltar pra nossa casa.


29 de Março de 2015, Domingo
07:30

Despertador toca. Soneca.

07:50

Levantamos. Está quase tudo pronto. Precisamos tirar a última roupa do varal, limpar a suíte e empacotar as coisas de geladeira.
As 10:30 o cara da mudança chega.

08:10

Volto com pressa para o quarto. Consegui não interagir com nenhum dos outros 5 habitantes da casa. Trago comigo dois pães com manteiga - margarina - e um chocolate quente grande pra dividirmos.

11:20

Tiago, o cara da mudança, coloca a última sacola na porta do apartamento, recebe os 65 dólares que cobrou por uma hora de trabalho e vai embora.
Hora de pegar tudo que é nosso e transformar esse apartamento todo montado em nosso lar.

11:30

Enquanto penso, em absoluto segredo, que jamais nos sentiriamos em casa, recebo uma ligação do Tiago. Preciso abrir o portão da garagem.

19:00

Com muito trabalho e criatividade, dentro das limitações encontradas, o apartamento é nosso. O Eder das 11:30 estava errado. Ele não contava, principalmente, com a astúcia da neta da dona Magnólia.

Abrimos um vinho e vamos para a sacada. Da mesma forma que tudo começou há dois anos e dez meses, numa varanda na Barra Funda.



Eder.











5 comentários:

  1. <3

    "Ela" não precisa de um lugar perfeito pra chamar de lar, pq o lar tá dentro dela e partir disso ela transforma qualquer canto no canto dela, de vocês. Você é um cara de sorte.

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  2. Era pra eu ter lido de baixo pra cima?

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  3. Que delícia ler tudo isso! Que cada coisa que levaram daqui encha de amor a casa nova de vocês!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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