07:00
Despertador toca. Soneca.
07:05
Despertador dela toca. Soneca também.
07:10
Minha soneca termina. Despertador toca. Soneca de novo.
07:45
Já passamos muito tempo fingindo que estávamos dormindo mais. Desligo os despertadores e olho em volta.Não é o mesmo quarto em que acordei ontem. É novo, mas ao mesmo tempo já tem quase 3 anos.
As 08:30 vou precisar sair sair para o trabalho. Mas se for rápido consigo ainda trazer café na cama pra ela.
Levanto da cama, abro a porta do quarto e dou de cara com a sala; Todas as poucas coisas que trouxemos do Brasil espalhadas por móveis Australianos que já estavam aqui antes da gente, que não têm a “nossa cara”, mas já são tão nossos.
07:50
Desisto do café na cama. Agora temos nossa própria cozinha e nossa própria mesa. Ela vai gostar de tomar café em uma mesa de novo. Sem nenhuma Australiana antipática passando com a cara fechada de um lado para o outro. Sem nenhuma indiana - que, por razões já explicadas nesse blog, prefiro não adjetivar - cozinhando uma comida fedida que impregna no nariz.
Ela vai gostar de ter uma sala quieta e limpa só pra nós dois. Eu também.
08:35
Um pouco atrasado, me despeço dela, pego nossa chave, fecho nossa porta e saio para mais um “primeiro dia”, louco para voltar pra nossa casa.
29 de Março de 2015, Domingo
07:30
Despertador toca. Soneca.
07:50
Levantamos. Está quase tudo pronto. Precisamos tirar a última roupa do varal, limpar a suíte e empacotar as coisas de geladeira.
As 10:30 o cara da mudança chega.
08:10
Volto com pressa para o quarto. Consegui não interagir com nenhum dos outros 5 habitantes da casa. Trago comigo dois pães com manteiga - margarina - e um chocolate quente grande pra dividirmos.
11:20
Tiago, o cara da mudança, coloca a última sacola na porta do apartamento, recebe os 65 dólares que cobrou por uma hora de trabalho e vai embora.
Hora de pegar tudo que é nosso e transformar esse apartamento todo montado em nosso lar.
11:30
Enquanto penso, em absoluto segredo, que jamais nos sentiriamos em casa, recebo uma ligação do Tiago. Preciso abrir o portão da garagem.
19:00
Com muito trabalho e criatividade, dentro das limitações encontradas, o apartamento é nosso. O Eder das 11:30 estava errado. Ele não contava, principalmente, com a astúcia da neta da dona Magnólia.
Abrimos um vinho e vamos para a sacada. Da mesma forma que tudo começou há dois anos e dez meses, numa varanda na Barra Funda.
Eder.
<3
ResponderExcluir"Ela" não precisa de um lugar perfeito pra chamar de lar, pq o lar tá dentro dela e partir disso ela transforma qualquer canto no canto dela, de vocês. Você é um cara de sorte.
Era pra eu ter lido de baixo pra cima?
ResponderExcluirQue delícia ler tudo isso! Que cada coisa que levaram daqui encha de amor a casa nova de vocês!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
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