Não é, nem de longe, um dos meus chavões favoritos, mas foi exatamente assim que me convenci a começar esse texto, a documentar, de alguma maneira, nossa experiência em terras Australianas. Coisa que tínhamos prometido fazer desde o “dia 0”. E foi feito... De certa forma.
Com uma GoPro na mão e uma ideia pela metade na cabeça, eu e a Dani registramos desde a montagem das malas até nossas primeiras experiências em Perth. A intenção era - é - editar esses vídeos e subir tudo prum canal onde a família possa “matar a saudade” e outros aventureiros possam usar como inspiração.
Nunca editamos nada.
Realmente acredito que, em breve, editaremos. Precisamos achar tempo na nossa rotina ainda inexistente. Ou mesmo achar uma rotina no nosso tempo existente. Mas, por enquanto, fica essa sendo minha grande e única decepção até aqui.
O pior é não poder culpar os outros.
De resto, tudo dentro do esperado. Logo na segunda semana o sonho do “sub-emprego” bem remunerado se concretizou. Em dose dupla. Em menos de 15 dias havia me tornado um daqueles personagens, pai solteiro de jornada dupla, que serve mesas de dia e lava louça a noite. Exceto pelo fato de que não sou pai, nem solteiro.
Foi uma merda. E eu amei odiar tudo aquilo. Me fazia muito bem.
Em nossa terceira semana, comecei acompanhando a Dani na entrega de currículos em um restaurante mexicano e terminei como especialista em burritos. Minha habilidade, extremamente contestável, para fazer o simples arroz Brasileiro - e nada mais - aliada à minha sinceridade me colocaram na cozinha do “Guzman Y Gomez”. Meio fast-food, meio não-fast-food.
Logo de começo consegui boas horas de trabalho e tive que largar os outros dois sub-empregos dos sonhos para me tornar um superstar da guacamole.
Na primeira vez que fui fazer a iguaria mexicana sozinho, dobrei a quantidade de limão sem querer. Não quis contar que fiz cagada logo na primeira vez que não me deram uma babá e terminei assim mesmo. Todo mundo amou. Nunca mais parei de errar.
Nesse meio tempo de currículos, empregos e doses exageradas de suco de limão industrializado, muitas outras coisas aconteceram.
Quando chegamos, fomos morar por duas semanas com uma Australiana de 58 anos - dos quais, dois ela passou em Caçapava, interior de São Paulo -, toda metida a meninona dançarina de forró. Tipo “louca dos gatos”, só que sem os gatos.
A Dani diz que ela se insinuava pra mim. Prefiro acreditar que não, embora ache que sim.
Fugidos de lá, viemos parar numa share house com mais 5 pessoas, mas não quero falar sobre elas. Já fui acusado de preconceituoso muitas vezes na minha vida. Não quero acrescentar xenófobo - ou “indianofóbico” - à lista. Ainda mais agora que estamos saindo daqui para ter nosso próprio canto.
Mas hoje só posso falar que isso pertence ao futuro. Próximo, mas ainda sim futuro e esse blog só fala de passado. Próximo, mas ainda sim passado.
Eder.
A hora de editar vai chegar e vc vai sentir que vai ser a hora certa. Às vezes é melhor deixar o tempo resolver qual é o melhor momento, ele sabe mais do que a gente. Ele sabe quando a gente está pronto pra rever o que a gente passou e finalmente abrir para outros olhos, olhos esses sedentos por entenderem tudo, coisa que vocês ainda devem estar descobrindo.
ResponderExcluirNo aguardo de mais textos de vcs dois. :)
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ResponderExcluirFala, Rafael! Tudo bem, cara?
ExcluirAntes de mais nada, muito obrigado pelo carinho que você demonstrou nos comentários de todos os textos. Dá um ânimo gigantesco pra nos dedicarmos mais!
Respondendo sua pregunta, sou radialista de formação e sempre atuei bastante com redação e roteiro.
Espero continuar recebendo notícias de vocês, nessa jornada que é esse planejamento. Querendo perguntar algo, procura a gente. Vai ser um prazer dividir nossas experiências com vocês.
Te garanto que o prazer e alegria de te "conhecer" foi toda nossa!
Abraço!
Eder.
ExcluirEndereço, qual sua profissão?
ResponderExcluirTexto delicioso de ser lido, cara! Parabéns, camarada! Vou acompanhar tudo, a partir de agora.
Sou jornalista e minha noiva é professora de inglês. Iremos pra Perth, em 2016.
A gente se fala!
Prazer conhecê-los, ainda que virtualmente.
Abraços!
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